Festeiros raios maternos cruzam o céu por toda parte, tambores rufam e confetes de chuva começam a pingar enquanto crianças de todas as idades preparam seus gritos de euforia e a cachoeira dos filhos paulistanos escadão a baixo a rolar. Os carros reduzem a velocidade a vida se lava de felicidade só pra ver menina dos ventos passar.
Escritos de nove anos atrás
sábado, 21 de dezembro de 2019
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
Caber ou não
Ele me tem mas não tem fé
Ele me tem mais acredita que não
Ele me tem pois quero lhe ter também
Ele me vê mas não sabe quem é
Ele me quer mas não caibo na mão
Ele me busca mas não me detém
Ele me ampara mais caio de pé
Ele me toma e esparramo no chão
Ele tem medo mas arrisca ir além
Ele navega e eu seguindo a maré
Ele aporta mas sou furação
Ele desespera e eu lhe faço refém
Ele perdoa e eu lhe faço café
Ele me pede e lhe amo no chão
Ele é um rei vindo de Ifé
Ele me oferece seu reino porém
Sou meu próprio império, sou meu próprio pão
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Fome
Um dia ele veio aqui e me comeu,
literalmente, com todos os dentes
mastigou aquilo que é meu
costas seios cintura
até o calcanhar e a curvatura ele mordeu
amassou minha massa
me apertou em sufoco, me espremeu.
E depois bem cansado
e um tanto rouco do quanto gemeu
me falou com os olhos
beijou minha fronte
laçou minha mão e adormeceu.
E anoiteceu chovendo...só vendo.
literalmente, com todos os dentes
mastigou aquilo que é meu
costas seios cintura
até o calcanhar e a curvatura ele mordeu
amassou minha massa
me apertou em sufoco, me espremeu.
E depois bem cansado
e um tanto rouco do quanto gemeu
me falou com os olhos
beijou minha fronte
laçou minha mão e adormeceu.
E anoiteceu chovendo...só vendo.
Amor gris
Nos cabelos de meu bem moram estrelas
Salpicando de luz a noite densa de seus pelos
Moram como se sempre fossem Dali
Brilham dali como se sabedoria fossem
Como se nem coubesse noutra teia
e alumeiam enfeitando a lua meia
de seu sorriso cheio.
Desaba o mundo
Como a mensageira maior do tempo
No ponto mais tenso entre o céu e o chão
Ela vem intensa, galopando o vento
Rasgando o firmamento num clarão
Ela vem nobre, vestida de cobre e
cobrindo de chumbo a imensidão.
Vem inundar a secura
vem banhar minha cura
vem curar meu coração.
É mar de tanto ir
Me marca com os dentes, tatuando insistente minha pele com seu querer
Me enlaça os cabelos, aperta os tornozelos e me adentra lutando por viver
Me busca com os braços, me prende tal aço como se fosse perdurar a estada
Me inunda de mar, não cessa em me amar e desespera em pensar na estrada
Me borra os ouvidos, confundi os sentidos se preparando pra nova caminhada
Me enche de dor, transborda fulgor e briga ao sentir o corpo adormecer
Me olha temendo a demora, diz que é amor, chora, e sentencia...até mais ver.
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