quinta-feira, 17 de abril de 2014

É mar de tanto ir

Me marca com os dentes, tatuando insistente minha pele com seu querer
Me enlaça os cabelos, aperta os tornozelos e me adentra lutando por viver

Me busca com os braços, me prende tal aço como se fosse perdurar a estada
Me inunda de mar, não cessa em me amar e desespera em pensar na estrada
Me borra os ouvidos, confundi os sentidos se preparando pra nova caminhada

Me enche de dor, transborda fulgor e briga ao sentir o corpo adormecer
Me olha temendo a demora, diz que é amor, chora, e sentencia...até mais ver. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Diz

Como posso deixar
tudo no seu tempo de ser
se a cada passo que dou
outro quer retroceder
Ter agora tua cara,
teu ninho, teu querer
Teu carinho, tua prosa
tua pele de entardecer
O rumo da tua boca
tua fala pouca
aprumada no dizer
o silêncio em que cabe
a paz que me invade
do teu com o meu se parecer
na pausa que só deita e não mais peleita
a poesia perfeita na delícia da tua receita...
me diz como é que faz pra não querer.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Querendo ver

Cuidar dos outros é fácil fiiii
Quero ver é beber sua dor
e no auge do amargor
servir sopa quente pra solidão.
Quero ver sair do poço
de ti afundado até o pescoço
E na madrugada a pé
correr comprar vitamina C
pra curar a tristeza.
Quero ver fazer cafuné
pra cansaço dormir
E no mei do alvoroço
Cuspir na carne e roer o osso
Sem medo de sucumbir
Quero ver se sentir um Zé
Se achar um Mané
E acordar cedo pra fazer café
querendo viver tudo de novo.
Ahhh essa eu quero ver.

Cantareio

Beijo teu Ori
Bebo teu olhar
Bato cabeça
pra o tempo Sinhô
peço a bença de dona Sinhá
me armo de força e de amor
e avanço sem recuar...Aruanda.
Aruanda ê
Aruandá

Lembro teu amor
Água de Cacimba
Tua pele de noite
som de Calimba
peço licença
pra o tempo Sinhô
Rezo nas contas de dona Sinhá
E sigo meu Odú
Sem vacilar...Aruanda
Aruanda ê
Aruandá

Vou batendo meu Ilú
Sonhando com meu Ilé
Me lanço nos braços
do Tempo Sinhô
Banhado na ervas
de dona Sinhá
e vou sem ter
como voltar...Aruanda
Aruanda ê
Aruandá

domingo, 23 de junho de 2013

nua

Lamparina da Noite é Lua
Labirinto na Noite é Rua 
Abrigo a noite e minha carne na tua

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Destempora


Ninguém hoje em dia tem tempo
de só ir no tempo do outro
Se é sabido a tempos
dos contra tempos que nos une,
ou se adianta ou não, não há tempo.
O tempo não se perde
Mas também não se espera
Ele tem seu próprio tempo
Entre tempo e espaço reverbera
o que à tempos não se pede
enquanto a vida, seu tempo mede
Por isso meu relógio é sem ponteiro
Não aponta caminho nem tempo
de tempo em tempo para
noutro tempo anda ligeiro
E eu de cá desejando uma ponte
que me atravesse
ou que me aponte
quem de nós chegou primeiro.

Cegueira


Me vejo
coração ambicioso, ganancioso, faminto por tudo viver.
Emoções atropelantes, sentimentos fundos e errantes
chegando sempre antes...coisa transbordante esse meu ser.
Sou da tribo que não dorme e que só sonha
Sou da linhagem escrava do querer.
Moro no reino da inquietude,
onde se perde se desilude e se lamenta por nunca ter
Aquele tanto de carinho.
pois em minha cama pus espinho
e de toda dúvida fiz meu ninho
Pra quem consegue tão pouco ver.
Afinal é tanto amor que não se encaixa
em uma só vida, é preciso outro pra caber
Mas vc só enxerga o aquilo que não dá pra esconder.